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Quando eu fiz dezesseis anos e estava prestes a me formar no Balé Clássico, aceitei um trabalho como coreógrafa para uma competição interna de SESIs de toda a região. Durante dois meses inteiros eu ensaiei meninos e meninas da minha idade que nunca haviam dançado antes e que contavam comigo para ganhar pela primeira vez essa competição. Conseguimos um 3° lugar, mas isso não diminuiu em nada nosso orgulho!

Essa experiência mudou em muito a minha vida! Descobri o prazer de ensinar , o desafio de criar, de passar para frente o que eu sabia e de transmitir sensações através da dança. Seguindo um caminho natural me tornei professora e é sobre essa profissão que eu formulo meu post hoje…

Há alguns anos, fui convidada para dar aulas em uma escola importante de Mogi onde eu ensinava mais de 17 adolescentes. Depois de algum tempo esta turma foi dividida para que se tornasse mais homogênea e a partir daí que alguns pesadelos de desenrolaram…

A turma que ficou maior era um “passeio no parque”, tudo que era proposto era feito com primor e notava-se cada vez mais o progresso. Já a turma menor era um “ inferninho”, meninas mimadas que só queriam saber das fofocas da semana, da escova no cabelo e da nova cor de esmalte. Chegavam na sala sem uniforme, sem cabelo preso e muitas vezes meia hora atrasadas para uma aula que só durava uma hora!

Durante alguns meses, fui brasileira e não desisti, ali morava o meu desafio e eu queria de tudo quanto fosse jeito que aquelas meninas não saíssem daquela escola sem aprender algo. Infelizmente  minha saúde física e minha saúde mental não resistiram a tanta malcriação e me vi obrigada a abandoná-las. Por incrível que pareça mesmo depois desse” abandono”, os meus problemas na escola continuaram…sobre isso talvez compartilhe os detalhes um outro dia!

Em resumo, depois da experiência com essas duas turmas, eu enxergo que:  Querer ensinar algo a alguém, é muito maior do que passar adiante aquilo que você sabe, na verdade é uma troca grandiosa de aprendizado.

Aquele ano eu ensinei muito mais do que qualquer passo dado dentro de um palco, eu ensinei àquelas meninas o significado de trabalho em grupo, de persistência, de que uma mão lava a outra e que não existe ganho sem suor!  Em troca, elas me ensinaram que existe muito mais do que um cabelo escovado naquelas cabecinhas, que existe brilho, que existe brio e que é possível  existir uma relação de amizade entre professor e aluno e ainda assim manter o respeito.

Ser professora exige uma responsabilidade muito maior do que ensinar um Grand jeté bem feito, é importante saber que somos um grande espelho em que algumas crianças se miram. Importante também é saber que até o fato de desistir não é demérito já que é impossível ensinar qualquer coisa se o aluno não estiver disposto a aprender.

Não me arrependo de nada daquele ano, pelo contrário, apesar de não ser mais professora destas crianças, elas tem um lugar totalmente relevante no meu coração.

O papel de um bailarino profissional é expressar com o corpo sensações e sentimentos para fazer com que o público sinta o mesmo. O papel de nós professores, é ter a sensibilidade de captar dos nossos alunos essas sensações para que um dia quem sabe, eles também se tornem profissionais!!

E é para essas meninas que eu tanto amo, que eu desejo um

Bom Dia!!

 

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