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Douglas Richard de Almeida

Em uma das vezes em que fiz parte do júri no Festival de Dança aqui de Mogi, lembro de ter visto um menino lindo (maaaagro e tão alto que parecia um Aedes Aegypti imenso) de uns 13 anos, dançando uma coreografia de Freestyle que ele mesmo havia coreografado. Regina Cunha, que também fazia parte do juri, pontuou que já o conhecia e que achava que ele tinha futuro!

Mas creio que nem nos seus sonhos mais fantásticos ela imaginaria este futuro!

Bailarino da Academia de Dança de Mannheim e semi-finalista do mais importante festival do mundo, o Prix Lausanne, Douglas Richard de Almeida Lima prova que seu talento e garra ainda sim conseguem ser maiores do que seu sorriso!

Sempre influenciado pela dança, tinha o Usher como modelo e se lembra de já aos três anos de idade, fazer a “mamis” passar vergonha em público, dançando ao som de músicas que prefirimos não comentar (axé)!!! Rsrsrs…          …Porém, foi aos treze anos que seu pai o levou a primeira aula de balé.

“…Apesar da resistência da minha mãe no início, hoje ela até arrisca a dar alguns palpites quando me vê dançar!…”

Mesmo tendo como ídolo o Étoile da Ópera de Paris José Carlos Martinez, suas grandes inspirações foram Paloma Souza (ex 1° Bailarina do Badschen Staatstheater Karlsruhe na Alemanha) e Diego de Paula (atual bailarino da São Paulo Cia de Dança). Foi Paloma quem o ajudou a ir além, levando-o para o Seminário Internacional de Dança em Brasília.

Sua luta não foi nada fácil, logo de saída ele e outros bailarinos tiveram que ralar para conseguir o dinheiro das inscrições e da estadia para o Seminário.

Já em Brasília, ele ficou hospedado à duas horas do local do Evento e tinha que escolher entre gastar com a condução ou se alimentar apropriadamente. Mesmo com todo esse esforço, ele foi recompensado ao ganhar a Bolsa de Estudos na Academia em Mannheim. Por tudo isso que Brasília se tornou um marco em sua vida!

“…É lógico que a sensação foi de felicidade e alívio. Mas também tive medo! Medo de deixar tudo para trás, minha vida, meus amigos, minha família e das pessoas se esquecerem de mim…” 

De volta do Seminário, Douglas teve apenas 22 dias para se virar em moedinhas de Euro e arranjar o dindin da passagem e do seu primeiro mês de estadia na Alemanha. Mas graças a Prefeitura e uma Corretora de Imóveis em Mogi, o nosso Doug Funny bateu asas e vôou!

Depois de um ano em Mannheim e mesmo depois de romper dois ligamentos do pé esquerdo, Douglas foi o único selecionado dentre todos os bailarinos na Alemanha a participar de uma das maiores competições de dança no mundo, o Prix Lausanne 2012. Além de conhecer ídolos como Darcey Bussel e receber vários convites de importantes cias internacionais, também ganhou um prêmio especial de 1.000 francos suíços por ser o bailarino mais simpático de toda a competição. O que para nós não é nenhuma surpresa!!!!

Hoje, Douglas está de férias no Brasil para como ele mesmo diz: “… Repor as minhas energias…” e volta para Mannhein para seu último ano na Academia de Dança. No próximo ano, mais maduro, ele pretende voltar ao Prix Lausanne e espera receber o convite dos seus sonhos… O Royal Ballet.

BDT: Como é a rotina na escola? E o que gosta de fazer nas horas vagas?

D: A rotina na escola é diferente a cada dia, mais normalmente temos de 3 a 4 aulas entre clássico, moderno, repertório, pas de deux e improvisação. Fora que as vezes temos que ir para Karlsruhe ensaiar com os bailarinos da cia profissional. Já nas horas vagas adoro assistir a um filme, sair pra tomar sorvete, starbucks, festinha com amigos…enfim, sair pra relaxar um pouco!

BDTQuais as principais diferenças entre a Alemanha e o Brasil?

D: Não só falando do balé, as diferenças são muitas. Por exemplo: as comidas que eu como aqui, eu não tenho na Alemanha, feijão (que é o que eu mais sinto falta), a água de lá tem um gosto diferente, guaraná não existe… Essas coisas… Festas, carnaval, quermesses, eu não tenho por lá! Existem, mas são diferentes das daqui, não tem nada desse “fervo”!!

O povo lá é mais frio, sem beijos no rosto e abraços (só quando se é muito íntimo) e se você não falar a língua nativa, eles não perdem muito tempo. Ao contrário dos braileiros que fazem de tudo para ajudar.

Já na questão da dança, eles sempre prezam mais qualidades como esforço, disciplina, técnica e controle, só depois vem a dança, a parte mais artística!

BDT: Qual é o seu Ballet favorito?

D: Tem muitos balés que eu amo, mas vou citar três dos meus favoritos: Dom quixote, Giselle e Bela Adormecida.

BDT: Se você não fosse bailarino, seria o que?

D: Adoro ouvir e ajudar as pessoas, então pensaria em algo como Psicologia, Serviço Social ou tentaria ser algo como Fisioterapeuta ou Pediatra.

E para encerrar o que foi um papo de quatro horas, Douglas falou sobre o seu mantra: Confiar em si mesmo, ser humilde, ter fé e nunca esquecer das suas origens.

Não tem como não admirá-lo, sabendo da sua história, de onde veio, onde chegou e onde ainda vai chegar…  …Porque ele vai chegar!!

“…AME… AME…Não importa quantas dificuldades… AME Novamente!…”

                                                                                       (Douglas R. A. Lima)

 

Bom dia!!!

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