Tags

,

bender_aplausos

Amamos os aplausos, é aquele momento delicioso de reconhecimento e carinho do público, aquele momento único em que voltamos pra realidade e sentimos a doçura que é levar nossa arte para outras pessoas.

É lógico que quanto mais caloroso for o aplauso, mais satisfação traz para o artista, mas o ato de se levantar para aplaudir infelizmente está virando uma banalidade.

A apresentação termina, todos se levantam e começam a aplaudir o espetáculo. Quantas pessoas dentro do teatro realmente acharam que a apresentação merecia uma aclamação tão efusiva? Experimente ir contra a corrente, com certeza vai rolar uma pressão pra que você se levante, como se ficar sentado e aplaudir educadamente fosse um insulto.

Será que as pessoas imaginam o que isso pode significar para o artista em cima do palco? Esse hábito pode até expressar uma lisonja, mas em excesso pode dar espaço para o comodismo ou até a desconfiança.

“Nossa, hoje a apresentação foi realmente impecável! Ou será que não?”

Antes os aplausos de pé significavam que a apresentação havia sido excepcional, hoje virou moda, um gesto automático. O que tem de errado com o aplauso sentado, ele não vale mais nada?

Quando todo o público do Theatro Municipal de São Paulo se levanta e aplaude Baryshnikov por quase 10 minutos é porque ele e sua companhia de bailarinos são absolutamente sensacionais. Performances desse nível são comuns? Podemos assisti-las em qualquer lugar, a qualquer hora?

Não estou dizendo que se deva aplaudir de pé somente os “Baryshnikovs” da vida, mas esse tipo de demonstração deve ser reservado somente para apresentações que realmente te emocionaram, mesmo que você seja o único de pé em um teatro com mais 700 pessoas.

O verdadeiro artista precisa de um público verdadeiro…

Bom dia!!!

Carol Prado.

Anúncios