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Com o passar dos anos e muitas experiências novas, tanto como bailarina quanto professora, essa pergunta começou a me pinicar igual etiqueta de roupa.
Aquilo que um dia foi puramente primitivo, instintivo, passou a ser acadêmico, a ser seletivo.

Tudo na vida evolui e a evolução é uma força inegável, porém, somos hoje capazes de olhar para trás e buscar o necessário para voltar a chamar a dança de “arte”?

Comecei a dançar com quatro anos e não foi porque minha mãe precisava me manter entretida, foi por minha escolha. Durante a minha formação como bailarina ouvi pessoas me dizendo que eu não poderia me tornar uma bailarina, que não possuía o biotipo necessário and all kinds of crap…
Um dia, durante uma aula, Fernanda Chamma me perguntou por que eu não me olhava no espelho enquanto dançava e eu respondi que não gostava da minha imagem.
Através das palavras que se seguiram à minha resposta, Fernanda me mostrou com carinho que na minha arte, minhas qualidades superavam meu biotipo e isso me mudou para sempre!

Hoje vejo pessoas clamando pelas coisas erradas, como se essas fossem mais intrínsecas à dança do que o talento, experiência,o amor pela barra e a simples necessidade de se mover.

Então o que realmente significa dançar?
É ter estudo acadêmico? É ter um corpo magro? É fazer piruetas sem fim e ser flexível? É ter cabelo comprido para fazer o coque perfeito?
Para mim, a dança continua primitiva… Instintiva!
Ela vem de uma necessidade fisiológica. Ela vem de maturidade, experiências, aceitações e trocas. Ela vem quando eu não posso gritar ou correr.
Entrar em contato com o seu próprio jeito de se movimentar é algo tão raro hoje em dia que para algumas pessoas ainda é mais fácil imitar o jeito do outro, se colocar sempre em comparação com o outro e assim deixar quase que enterrado aquilo que antes fazia bem.
Estudo é mais do que importante e faz parte da força da evolução. Disciplina e um corpo saudável evitam traumas e lesões. Mas nada e nenhum motivo podem levar um professor a dizer: Você não pode. Você nunca será…

Independentemente do que você acredita que te faça bem, lembre-se sempre que a troca de experiências, a humildade, o autoconhecimento e o aprendizado contínuo podem não te fazer um primeiro bailarino, mas te farão ser uma pessoa melhor.
Eu creio que pessoas melhores são capazes de tocar muito mais gente com a sua arte do que aquelas que se preocupam somente com a altura dos seus grand battements…

 

Bom dia!!!

Thais Mello.

Veja também: Arte ou Esporte Olímpico?

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